Carnaval sem perrengue: dermatologista dá dicas para proteger a pele do glitter ao sol intenso

13 de Fevereiro de 2026 by Milton Figueiredo
Saúde
Carnaval sem perrengue: dermatologista dá dicas para proteger a pele do glitter ao sol intenso

Com blocos de rua, fantasias criativas e horas sob o sol, o Carnaval é um dos períodos mais desafiadores para a saúde da pele. Glitter, tintas corporais, suor excessivo, atrito de roupas e exposição solar prolongada podem provocar alergias, queimaduras, manchas e assaduras, problemas que muitas vezes só aparecem dias depois da folia.

Para ajudar os foliões a curtirem a festa sem prejuízos à saúde, a dermatologista Dra. Isabela Dupin, professora da pós-graduação em Estética e Cosmiatria da Afya Educação Médica São Paulo, explica quais são os principais cuidados antes, durante e depois dos blocos.

 

Glitter e maquiagem: atenção à composição

O glitter é um dos protagonistas do Carnaval, mas pode causar irritações, especialmente quando aplicado próximo aos olhos. “O ideal é optar por glitter cosmético, próprio para uso na pele. O glitter artesanal pode conter partículas cortantes ou metais que provocam microlesões e até alergias”, explica a dermatologista.

Ela também recomenda evitar o uso de cola inadequada. “Produtos como cola escolar ou de cílios não dermatologicamente testados podem desencadear dermatite de contato. Prefira fixadores específicos para maquiagem.”

Na hora de remover, nada de esfregar. “O excesso de fricção agride a barreira cutânea. O melhor é usar demaquilante ou óleo corporal e retirar com suavidade.”

 

Sol forte e marcas de fantasia

Recortes estratégicos e adereços podem deixar marcas indesejadas quando combinados à exposição solar intensa. “O protetor solar deve ser aplicado 20 a 30 minutos antes da exposição e reaplicado a cada duas horas, ou após suor excessivo. É importante espalhar o produto de maneira uniforme, inclusive nas áreas próximas aos adereços, para evitar marcas”, orienta.

A especialista recomenda FPS 30 no mínimo, preferencialmente 50 ou mais, especialmente para quem vai passar o dia na rua. “Protetor em spray facilita a reaplicação durante o bloco, mas é fundamental espalhar depois para garantir cobertura homogênea.”

 

Assaduras e atrito: problema comum nos blocos

Roupas justas, calor e suor favorecem assaduras, principalmente em regiões como coxas, virilha, axilas e abaixo dos seios. “O atrito constante, associado à umidade, pode causar dermatite irritativa. Usar roupas leves, evitar tecidos sintéticos e aplicar pomadas ou cremes com barreira protetora antes de sair de casa ajuda bastante.” Caso a assadura já tenha aparecido, a orientação é manter a área limpa, seca e evitar novos atritos até a recuperação.

 

Depois da folia: hora de recuperar a pele

A dermatologista reforça que o cuidado não termina quando o bloco acaba. “Após o Carnaval, é fundamental higienizar bem a pele, hidratar intensamente e observar sinais como coceira persistente, vermelhidão ou ardor. Se os sintomas durarem mais de dois dias, o ideal é procurar avaliação médica.”

Ela alerta ainda para o risco de queimaduras solares acumuladas. “Mesmo que a pele não descasque, a exposição excessiva ao sol gera danos celulares que aumentam o risco de envelhecimento precoce e câncer de pele".