Como a Reforma Tributária pode interferir no frete em 2026

12 de Fevereiro de 2026 by Milton Figueiredo
Como a Reforma Tributária pode interferir no frete em 2026

A alta complexidade que envolve as operações de frete no Brasil, terá nova forma de precificação. A Reforma Tributária regulamentada em janeiro de 2026, unifica cinco tributos. Os impostos federais: Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Também há o imposto estadual: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e o imposto municipal: Imposto sobre Serviço (ISS). A unificação destes imposto passará a ser chamado de Imposto sobre Valor Agregado (IVA).

O IVA é composto por dois impostos, o Imposto sobre Bens e serviços (IBS) de cunhos municipais e estaduais e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de cunho federal. A nova legislação definirá a nova alíquota do IVA no Brasil, que deve ficar em média de 26,5%, podendo chegar a 28%. Na prática, o consumidor final pagará o IVA, mas a responsabilidade de recolhimento e repasse aos cofres públicos será das empresas, desde fabricantes, distribuidores, atacadistas e varejistas até prestadores de serviços.

Assim, as empresas e motoristas autônomos que trabalham com transporte no Brasil, além da complexidade de pontuar os custos de cada operação, que envolve combustível, pneus, pedágios, manutenção e depreciação dos veículos, alimentação, distância percorrida, tipo de carga e em alguns casos, hospedagem, deverão aplicar também a nova tributação. A princípio, a proposta do IVA é facilitar esse cálculo, uma vez que atualmente, cada imposto tem seu cálculo próprio, mas, a porcentagem aplicada pode encarecer a operação.

Empresas em todo Brasil, já buscam se adaptar à nova realidade reconfigurando suas metodologias afim de não onerar seus clientes. Além dos custos supracitados, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) define a precificação que deve ser seguida, mantendo uma tabela para valores mínimos de frete. Ela chama essa precificação de Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviários de Cargas.

Segundo a ANTT, o piso mínimo do frete não é um número abstrato, ele influência a renda do caminhoneiro, o planejamento das transportadoras, a logística das empresas e, no fim da cadeia, o preço que chega ao consumidor. Quando esse valor não acompanha os custos reais da operação, o desequilíbrio se espalha, que desencadeia as inseguranças jurídica, disputas comerciais e pressão sobre quem está na ponta.

Grupo EcoPower Eficiência Energética, empresa com maior foco em energia solar, possui em sua estrutura a EcoPower Transporte, empresa responsável pela logística do grupo. É, portanto, responsável pelo transporte do material fotovoltaico entregue aos clientes em todo o território brasileiro. Segundo o Gerente de Transportes e Logística, Willian Ziatti, a EcoPower Transportes se atenta, rigorosamente, as normas da ANTT. Agora com a mudança da Reforma Tributária, analisa ainda mais cada processo, para mitigar a possível oneração da operação. Porque, a empresa transporta os materiais aos clientes de energia solar, mas, posteriormente, buscar encontrar fretamento para evitar ao máximo rodar sem carga: "A ANTT define valores mínimos de frete e, com a Reforma Tributária, a empresa vem se preparando principalmente com controle de custos. Desta forma, otimização de rotas, redução de km rodado vazio e busca constante por frete retorno. A ideia é absorver o máximo possível dos aumentos com eficiência operacional antes de repassar qualquer ajuste aos clientes", disse Willian.

EcoPower dispõe em sua frota, veículos siders, baús e graneleiros. Ziatti afirma que a empresa possui um departamento de logística e fretamento, que já otimiza o tempo. Assim, o destino dos veículos em várias ocasiões, já possui cargas retorno organizadas, ao deixar a empresa: "Um setor responsável pelo planejamento e fechamento dos fretes organiza a logística. Parte das cargas vem de clientes já parceiros, principalmente no transporte de placas solares. Outra parte é prospectada diariamente no mercado, buscando oportunidades de frete para manter os veículos sempre carregados e com o melhor aproveitamento possível".

Outro aspecto preponderante, além das parcerias já estabelecidas, é que a empresa busca direcionar sua frota de acordo com a necessidade de cada região do país. "Sempre que possível, os responsáveis direcionam os caminhões conforme a necessidade das cargas. Como nosso principal transporte é de placas solares, os veículos normalmente seguem para as regiões onde precisamos realizar essas coletas ou entregas. Quando há disponibilidade, também direcionamos os caminhões de acordo com oportunidades de carga. Assim, grãos, cargas paletizadas, alimentos, insumos agrícolas, açúcar e materiais diversos, sempre respeitando o tipo de veículo adequado".