Galã do forró descoberto pela Globo, Felipe Alcântara lança primeiro álbum católico da carreira
Paraibano de 37 anos, Felipe Alcântara foi revelado no Superstar (Globo) em 2015 como vocalista da banda Os Gonzagas e sempre trouxe toda a sua verdade para a música, seja sua origem nordestina e até mesmo a sua fé. Rodou a Europa, gravou com Maneva, Santanna o cantador e Lucy Alves, dividiu palco com Chico César, Elba Ramalho, Tato Falamansa, Vitor Kley, Flávio José, Toni Garrido, Mestrinho, e transformou clássicos da música brasileira em forró cheio de identidade. Agora, depois de anos equilibrando fé, família, carreira e estrada, ele entrega o que chama de “passo natural”: o primeiro EP totalmente católico da carreira, Daqui Pro Céu, previsto para setembro de 2025.
“Esse não é um ponto de virada. É um passo natural. Não estou mudando de carreira, nem tentando me posicionar como cantor religioso. Esse projeto nasceu de forma muito mais simples e real: de músicas que fui compondo ao longo da vida, muitas delas em momentos de profunda comunhão com Deus, e que, por muito tempo, ficaram guardadas.”
Felipe já tinha chamado atenção da comunidade católica anos antes, quando seu testemunho de castidade ganhou projeção nacional. Em 2016, durante uma entrevista no programa Encontro (Globo), ele falou abertamente sobre a decisão, explicando que a escolha fazia parte de seu compromisso pessoal com a fé.
A repercussão foi imediata e fez com que parte do público passasse a associá-lo ao universo da música católica, mesmo quando seu trabalho seguia centrado no forró. Para ele, essa experiência ajudou a construir a ponte entre a carreira popular e o novo projeto, mas sem criar fronteiras que limitassem seu alcance.
O estalo para o novo trabalho veio no Círio de Nazaré de 2024, quando Felipe cantou para milhares de pessoas na abertura de um dos maiores eventos religiosos do mundo. Não era mais só música.
“A experiência foi totalmente diferente de qualquer outro palco. Fui preenchido de uma forma que não tem como explicar. Ali uma semente foi plantada no meu coração, e eu me perguntava: ‘O que falta para eu gravar as músicas que já fiz para Deus?’”
O convite da produtora Tayana dos Santos, tanto para cantar no evento, quanto para gravar o EP, foi o sinal. “‘Quero ver um trabalho gravado daquele Felipe que eu vi cantando para Deus e não o Felipe do forró’, ela disse. Ali eu entendi tudo. Ao mesmo tempo que disse sim a ela, dentro de mim, assim como Pedro, eu dizia: ‘Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que te amo’.”
Daqui pro Céu mantém o forró na base, mas carrega letras feitas para rezar, dançar e transformar. “Sempre fui um católico que canta. Desta vez, estou lançando um trabalho que me coloca nas duas posições: como um católico que canta e como um cantor católico. Espero que quem é católico ouça, mas que quem não é também esteja aberto a ouvir.”
Entre as músicas, tem composição escrita há oito anos. Uma delas, Me levanta e Me faz Caminhar, já emocionou o público no Círio de 2024. “Recebi mensagens, áudios de pessoas chorando, dizendo que a música era a resposta que pediam a Deus. Tenho certeza absoluta que não sou nada e que é o agir de Deus na vida dessas pessoas. A música é só uma ferramenta.”
Para os fãs, Felipe frisa que não abandona o forró, só amplia o repertório de palcos. “Tudo ainda é muito novo, mas agora terei um segundo show tão bom quanto, e dessa vez, para cantar, dançar, rezar e apresentar essas músicas feitas com tanto amor e verdade.”
Sem data confirmada, o EP será anunciado nos próximos dias. Até lá, ele prefere se manter no compasso que sempre seguiu: “Se um só coração for tocado e transformado, eu acredito que a missão foi cumprida.”